Sangue frio e foco na gestão da fazenda

Assim como nos momentos de alta de preços sempre há quem aposte na indefinida continuidade da bonança, é natural que quedas de mercado, como a que assistimos nas últimas semanas, deixem o mau humor e o pessimismo ganharem espaço sobre os argumentos lógicos. É nesse momento que se torna ainda mais importante ter acesso à informação confiável e ouvir aqueles que conhecem e analisam o mercado do boi há anos.

“Pela minha experiência, os produtores que se mantém focados no plano de longo prazo tendem a colher melhores resultados, mesmo em cenários negativos. O gerenciamento das informações, internas e externas à sua fazenda, e a habilidade em transformá-las em decisões rápidas e assertivas fazem a diferença”.

As palavras são do consultor Maurício Palma Nogueira, diretor da Agroconsult, e expressam uma característica inerente à pecuária: trata-se de uma atividade de ciclo longo e, assim, sujeita a altos e baixos mais prolongados. Tanto os períodos de bonança são mais fartos, quanto os de instabilidade são longos.

O consultor Rogério Goulart concorda. Na última edição da Carta Pecuária, Goulart mostra levantamento feito desde o início do Plano Real (1994), no qual os altos e baixos de preços se alternam ciclicamente. “A boa notícia é que os períodos de alta são mais poderosos em termos de cotações do que os de baixa”, informa o especialista. Ele projeta que a chamada “janela histórica” de queda se fechará em até seis meses. “A alta subsequente tem grande chance se superar 20%”, diz.

Nesse cenário, Maurício Palma Nogueira aconselha foco na gestão das fazendas pecuárias. “Quem se preparar agora tende a estar mais forte no futuro. Não recomendo medidas imediatistas, que invariavelmente são equivocadas”.

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